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Osteopatia é uma opção para o tratamento da enxaqueca

por LifeSquare |

A enxaqueca impossibilita várias pessoas de ter uma vida normal. Ela afeta em torno de 15% da população mundial e aproximadamente 30 milhões de pessoas no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde, OMS. Seu principal sintoma é a cefaleia, com uma dor moderada a forte, geralmente latejante e unilateral, com duração de 4 a 72 horas, e piora com a movimentação. Os tratamentos medicamentosos com algum tipo de analgésico são os mais conhecidos para a enxaqueca, porém a Osteopatia pode ser uma alternativa para a melhora desta doença.

A Osteopatia é um sistema de tratamento das alterações orgânicas e lesões do corpo que visa restabelecer o equilíbrio corporal. Ela tem uma abordagem diferenciada, sem o uso de medicamentos e que prioriza a avaliação integral do indivíduo.

“Dentro da visão osteopática, a enxaqueca pode estar associada a questões tensionais, vasculares, reflexas ou metabólicas. Dessa forma, o primeiro passo é tentar identificar, através das características dos sintomas do paciente, qual dessas possibilidades parece a mais pertinente e, a partir daí, tentar trabalhar de forma específica sobre a causa desse sintoma”, explica Rogério Queiroz, Fisioterapeuta Osteopata D.O., diretor da Escola de Osteopatia de Madrid no Brasil e revisor do Journal of American Osteopathic Association.

A enxaqueca normalmente aparece associada a sintomas como: náuseas, sensibilidade à luz, ruídos e cheiros fortes. Alguns pacientes apresentam alterações visuais ou outras alterações neurológicas transitórias antes do início da dor. A Osteopatia busca técnicas para resolver esses problemas.

“Se percebemos que a enxaqueca está relacionada à tensão muscular iremos verificar a inervação desses músculos, as origens e inserções e regularizar tudo que esteja fora da fisiologia normal. Nos casos vasculares, trabalhamos principalmente sobre o sistema nervoso autônomo, produzindo uma melhor regulação da vascularização desse segmento. Se for de origem reflexa, como nos casos de sinusite, por exemplo, podemos melhorar a condição das mucosas e realizar técnicas que drenem a secreção dos seios nasais. E em casos de origem metabólica, podemos além de melhorar a condição neurovegetativa, realizar manobras sobre as vísceras devolvendo uma melhor condição de funcionamento”, conta o Osteopata.

Algumas dicas podem ajudar a amenizar as crises, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia: dormir pelo menos 8 horas, praticar exercícios pelo menos três vezes por semana, se alimentar a cada três horas, evitar os alimentos identificados como desencadeantes das crises, o que varia de pessoa a pessoa, como os que contêm álcool, cafeína e condimentos fortes, por exemplo, e não abusar dos analgésicos. Um dos diferenciais da Osteopatia é que o diagnóstico e o tratamento é feito exclusivamente com manobras manuais, sem utilização de medicação ou de aparelhos.

“É muito grande a gama de manobras que podemos utilizar e que vão desde as famosas manipulações articulares (famosos estalos), passando por técnicas miofasciais, até técnicas para artérias, vísceras e toques muito suaves. Tudo depende da necessidade específica de cada paciente e é muito provável que não se realize o mesmo tratamento em dois pacientes diferentes”, afirma Rogério.

Na relação dos tratamentos mais conhecidos no Brasil estão analgésicos, anti-inflamatórios e vasoconstritores isolados ou associados para cessar a dor, também o uso da toxina botulínica e a neuromodulação, que consiste em aplicar um campo eletromagnético para modificar e modular o Sistema Nervoso Central e/ou o Sistema Nervoso Periférico, de acordo com a Academia Brasileira de Neurologia.

“A Osteopatia apesar de muito eficaz no tratamento das enxaquecas, ainda é pouco conhecida por estar há pouco tempo no Brasil. Já se podem encontrar trabalhos científicos que atestam a eficácia da técnica, porém ainda são poucos os osteopatas com a devida formação e treinamento para realizá-lo de forma adequada”, finaliza Rogério.